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PF prende membros de quadrilha em operação contra tráfico internacional de drogas

Policiais têm 55 mandados de prisão contra suspeitos de transportar drogas para o Brasil, os EUA e a Europa. Em 2 anos, grupo transportou ao menos 9 toneladas de cocaína.

25/02/2019

PF prende membros de quadrilha em operação contra tráfico internacional de drogas

A Polícia Federal prendeu 28 pessoas na manhã desta quinta-feira (21) em uma operação contra uma quadrilha especializada em transportar drogas da Colômbia e da Venezuela para Brasil, Estados Unidos e Europa. Ao todo, agentes cumprem 55 mandados de prisão contra envolvidos no esquema.

Além das prisões – até o momento realizadas no Tocantins, no Pará e em Goiás –, a PF tenta apreender 47 aeronaves usadas pela quadrilha. Os mandados foram expedidos pelo juiz federal Pedro Felipe de Oliveira Santos, da 4ª Vara de Palmas.

Aeronaves que, segundo a PF, eram usadas por quadrilha especializada em tráfico internacional de drogas — Foto: Divulgação/PF

Aeronaves que, segundo a PF, eram usadas por quadrilha especializada em tráfico internacional de drogas — Foto: Divulgação/PF

João Soares Rocha, apontado como chefe da quadrilha, foi preso em Tucumã, no Pará. Ele já foi investigado por suposta lavagem de capitais do traficante Fernandinho Beira-Mar. A PF também apreendeu aeronaves, mas um balanço da operação não tinha sido divulgado até a última atualização desta reportagem.

O advogado de João Soares disse que o cliente exerce atividade lícita e tem residência fixa. Afirmou ainda que aguarda para ter conhecimento dos autos e se manifestar a respeito.

João Soares (de rosa), apontado como chefe da quadrilha, é preso em Tucumã, no Pará — Foto: Wesley Costa

João Soares (de rosa), apontado como chefe da quadrilha, é preso em Tucumã, no Pará — Foto: Wesley Costa

Segundo a investigação, a quadrilha transportou mais de 9 toneladas de cocaína entre 2017 e 2018, em 23 voos que carregavam 400 kg da droga, em média, cada um. A PF informou que a quadrilha tinha ligação com facções criminosas do Brasil – sem listar quais – e prestava serviços para traficantes daqui e do exterior.

A operação foi batizada de Flak, termo que, de acordo com a PF, era usado durante a Segunda Guerra Mundial para identificar a artilharia antiaérea alemã.

Números da operação até as 17h:

 

  • 28 prisões;
  • 11 aeronaves apreendidas
  • 88 mandados de busca cumpridos.

 

Os suspeitos estão sendo ouvidos na sede da Polícia Federal em Palmas. Sete deles já prestaram depoimento e foram encaminhados para a Casa de Prisão Provisória da capital.

Além de pilotos, a organização contava com mecânicos que adulteravam as aeronaves para aumentar a autonomia dos voos e ocultar o prefixo original dos aparelhos, para despistar as autoridades. O grupo usava Palmas e Porto Nacional, no Tocantins, como pontos de apoio.

As investigações indicam que a rota do transporte de drogas passava pelos países produtores (Colômbia e Bolívia), países intermediários (Venezuela, Honduras, Suriname e Guatemala) e países destinatários (Brasil, Estados Unidos e União Europeia).

No ano passado, já tinha sido apreendido de uma espécie de submarino no Suriname. A embarcação, que podia carregar entre 6 e 7 toneladas, poderia ser utilizada pela para levar drogas para Europa e África.

Operação da PF mira tráfico internacional de drogas no DF e 7 estados

Bom Dia Brasil

 

 

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Operação da PF mira tráfico internacional de drogas no DF e 7 estados

Operação da PF mira tráfico internacional de drogas no DF e 7 estados

A operação envolve 400 policiais e conta com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB) e do Grupamento de Rádio Patrulha Aérea da Polícia Militar de Goiás. As investigações também tiveram apoio da agência americana DEA (Drug Enforcement Administration) e da agência surinamesa CTIU (CounterTerrorism Intelligence Unit).

Os mandados são cumpridos no Ceará, no Distrito Federal, em Goiás, no Pará, no Paraná, em Roraima, em São Paulo e no Tocantins. Além da apreensão das aeronaves, o juiz determinou o sequestro de 13 fazendas e de cerca de 10 mil cabeças de gado.

De acordo com as investigações um dos envolvidos na organização criminosa era o piloto Cristiano Felipe Rocha Reis, que morreu em Goiânia após uma queda de avião no Pará. Ele era sobrinho do empresário João Soares Rocha.

Cristiano Felipe Rocha, que morreu após acidente no Pará, também tinha envolvimento no esquema — Foto: Reprodução/Instagram

Cristiano Felipe Rocha, que morreu após acidente no Pará, também tinha envolvimento no esquema — Foto: Reprodução/Instagram

Cristiano Felipe Rocha, que morreu após acidente no Pará, também tinha envolvimento no esquema — Foto: Reprodução/Instagram

Outro citado como integrante da operação é Evandro Geraldo Rocha dos Reis, pai de Cristiano, e que morreu na queda do mesmo avião em que o filho estava.

Ainda segundo as investigações, o esquema teria ligações com traficantes como Fernandinho Beira-Mar e também Leonardo Dias Mendonça, que estava preso em Aparecida de Goiânia, mas ganhou progressão para o regime semiaberto.

A apreensão de uma aeronave com 300 quilos de cocaína em julho do ano passado, em Formoso do Araguaia, também está nos documentos como parte do esquema. A suspeita é que a droga tinha saído da fronteira da Bolívia com o Mato Grosso.

Segundo a PF, os investigados devem responder por tráfico transnacional de drogas, associação para o tráfico, financiamento ao tráfico, organização criminosa, lavagem de dinheiro e atentado contra a segurança do transporte aéreo.

Rota da droga — Foto: Wagner Magalhães/G1

Rota da droga — Foto: Wagner Magalhães/G1

 

O esquema

 

As investigações da Polícia Federal apontam que o grupo agia dividido em quatro núcleos. O primeiro era comandado por João Soares Rocha e tinha a função de gerenciar as operações de transporte e de distribuição de cocaína. Eles eram responsáveis pela comunicação com produtores e varejistas do tráfico, organização do transporte aéreo, recrutamento de pilotos e mecânicos para tarefas operacionais, definição das estratégias de fuga, seleção das pistas de pouso e pontos de apoio, além de outras funções gerenciais.

O segundo núcleo era composto de pilotos e ajudantes que prestam serviços regulares ao núcleo empresarial. Eles eram responsáveis pela condução das aeronaves adulteradas com drogas e dinheiro, além da elaboração de planos de voos irregulares, mapeando rotas para escapar do controle aeronáutico.

Mecânicos que adulteravam a estrutura dos aviões para prolongar a autonomia do voo integravam o terceiro núcleo. Eles também faziam manutenção das aeronaves e adulteravam os prefixos.

Os produtores ou compradores de cocaína, que contratam os serviços do núcleo logístico para o transporte e a distribuição da droga, são apontados pela PF como quarto núcleo.

Veja mais notícias da região no G1 Tocantins.

O SINPEF/MS defende os direitos dos policiais federais