POLÍCIA FEDERAL
ORGULHO NACIONAL


Ação desarticula maior rede de contrabando de cigarro

10/10/2006

Ação desarticula maior rede de contrabando de cigarro A ação desenvolvida nesta terça-feira pela Polícia Federal simultaneamente em Mato Grosso do Sul e outros 10 Estados ocorre para desarticular a maior rede de contrabando de cigarros em atuação no Brasil, conforme informações divulgadas pela coordenação da “Operação Bola de Fogo”. São cerca de 100 mandados de prisão que estão sendo cumpridos, cerca de 70 deles expedidos somente em Mato Grosso do Sul, onde ocorrem operações em Campo Grande, Dourados, Ponta Porã e Antônio João. Para serem cumpridos dentro do Estado são mais de 20 mandados. Somente nos últimos dois anos a PF apreendeu 23 mil caixas de cigarros contrabandeados pelo esquema, avaliadas em R$ 23 milhões. Estas apreensões ocorreram em Mato Grosso do Sul, no Paraná e São Paulo.

O contrabando tinha envolvimento, em alguns estados, de policiais federais e fiscais de renda, que eram corrompidos, conforme citado na nota. Alguns advogados também estão sob suspeita de se envolverem no esquema comprando sentenças. Estão envolvidos na ação 750 policiais federais em todo o País além de fiscais da Receita Federal. São cumpridos mandados em Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Goiás, Rio Grande do Norte, Pará, Mato Grosso, Maranhão, Ceará e no Rio de Janeiro.

Antes das 7h, três pessoas (duas mulheres e um homem) foram presas no Novotel, na entrada do Parque dos Poderes, em Campo Grande, e encaminhadas à superintendência da Polícia Federal. Até 8 horas 10 pessoas estavam presas, mas os nomes não foram revelados. Os envolvidos cometeram crimes de contrabando, descaminho, sonegação fiscal, corrupção ativa e passiva, exploração de prestígio, falsidade ideológica, evasão de divisas, lavagem e ocultação de dinheiro. Além dos que encabeçam a organização criminosa, também há laranjas e outros envolvidos.

A operação teve início a partir de inquéritos instaurados em Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Sul em 2004. Trata-se de um grande esquema de falsificação envolvendo fábricas de cigarro no Brasil e no Paraguai, além de grupos que faziam a distribuição do produto. São três grandes organizações criminosas envolvidas e que teriam tomado à frente do contrabando do cigarros no País, preenchendo o espaço de Roberto Eleutério da Silva, que foi preso em setembro de 2003, sob acusação de ser maior contrabandista de cigarro do Brasil.

Hyran Georges Delgado Garcete, empresário da região de Pedro Juan Caballero, seria o chefe de uma das organizações articuladas no esquema. Ele era o responsável pela introdução, em grandes quantidades, de cigarros, além de armas e entorpecentes. Usava parentes e funcionários como laranjas em várias empresas que abriu nos ramos de construção civil, importação e exportação, além de transportadoras. São empresas constituídas para mascarar a verdadeira finalidade, de contrabando.

Grande parte dos cigarros pertence à outra organização criminosa, encabeçada pela Sudamax Industria e Comércio de Cigarros Ltda, que fica em Cajamar (SP). Comercializa cigarros das marcas US, U5, Dóllar, Campeão, Vanguard e Dunas. Para exportação são a MAC e Red Fox. O grupo tem uma fábrica espelho no Paraguai, chamada Tabacalera Sudan SRL, unidade que produz o cigarro da marca US Nilde. Durante as investigações foi constatado que esse cigarro também era produzido pela Sudamax em Cajamar, um processo conhecido dentro da empresa como “Operação Dunas”. Consistia na dissimulação da origem do produto, de forma que parecesse trazido do Paraguai, esquema confirmado com a apreensão de 8,2 mil caixas da marca no dia 12 de maio, na empresa.

O dinheiro originário da venda do cigarro era investido em empresas do grupo chefiado pela Sudamax, que também atua no setor imobiliário e empresas offshore sediadas no Uruguai. As transações, segundo a PF, configuraram o crime de lavagem de dinheiro. Durante investigações na Sudamax os policiais descobriram a terceira organização criminosa, que é encabeçada pela Distribuidora de Alimentos e Produtos de Consumo Dunas, sediada em Natal (RN).

Os sócios-proprietários coordenam esquema especializado da distribuição atacadista de cigarros contrabandeados do Paraguai tanto da Tabacalera quanto de outras empresas e da Sudamax. Outra empresa que tinha cigarro distribuído pelo grupo é a Tabacalera Central, pertencente aos irmãos Róqui e Roni Silveira. O esquema de distribuição tinha como base a cidade de São Paulo e Anápolis (GO), envolvendo a “rede de proteção”, que consistia na cobertura de policiais e fiscais corrompidos.


Fonte: Campo Grande News.

O SINPEF/MS defende os direitos dos policiais federais