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Algemas versus corrupção: façam suas apostas...

22/08/2011 10:45:00

Algemas versus corrupção: façam suas apostas...

Um jogo conhecido está de volta, trazendo uma indagação: as algemas serão guardadas ou continuarão a ser usadas na batalha contra a corrupção? Lembro da imagem mostrada pela televisão americana exibindo um ídolo esportivo algemado. Lá, algemas em pulsos famosos não causam espanto. Aqui, a repercussão é imediata. De um lado, os que demonizam algemas elaboram teses concluindo que elas não podem ser colocadas em qualquer pulso... Do outro lado, policiais dizem que não é bem assim, que tem gente atacando algo que é mais complexo do que eles imaginam.

O ídolo esportivo mostrado pela televisão americana era o ex-campeão mundial de boxe Mike Tyson. Gosto deste esporte, talvez por isso a cena tenha me impressionado. Pensei que as algemas eram discutidas lá - nada disso. No país do Tyson, preso é preso - os cidadãos sabem o risco que correm quando afrontam as leis. Procurei saber se o mesmo tratamento é dado a todos. É! Gente como o jogador de futebol americano O.J.Simpson; o mega artista Michael Jackson; o ator Russel Crowe; a milionária Paris Hilton, e, recentemente, o ex-presidente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, foram algemados, e suas imagens divulgadas.

No Brasil, fazer isso com certo tipo de gente, principalmente com os que se envolvem em uso inadequado de verbas públicas é complicado, a medida é logo taxada de desnecessária. Parece que algema é algo reservado aos pobres, a gente sem poder. Fica no ar a sensação de que esse tratamento não pode ser dado a pessoas influentes, não “pega” bem... Alguns insistem que essa atitude só pode ser tomada em casos muito especiais. Mas algo fica claro: quando necessária, a medida deve ser tomada longe das câmeras, distante dos fotógrafos, sob pena de ser taxada de “pirotécnica”...

Diferente da “ararinha azul”, corrupto não é “raça” em extinção no Brasil... A espécie se multiplica a olhos vistos. Quando a polícia cumpre seu papel aplicando regras básicas de segurança quando efetua prisões, a polêmica retorna acompanhada de um belicismo retórico cada vez mais forte, que afronta o bom senso pela depreciação que isso causa na vida pública. A população fica confusa quando ouve entrevistas com expressões que tentam induzir que o uso das algemas é mais importante do que o fato. São escritas coisas como “o uso da algema precisa ser adequado ao ‘potencial de periculosidade’ dos suspeitos” ou “algemar gente famosa se presta mais à demagogia social do que à verdadeira justiça”.

Segundo alguns, a solução é simples. Um jornal de grande circulação mostrou um texto no qual um “especialista em polícia” disse que “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”... Disse também que “um fato é um sujeito condenado várias vezes por ato de violência ser algemado; outro, é um cidadão sem antecedentes, preso pela primeira vez e sem condenação, ser exposto com algemas perante a opinião pública”. Finalmente decretou: “algema deve se restringir a quem é ou pode ficar violento”.
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Infelizmente o “especialista” não explica qual a fórmula que usa para prever quando uma pessoa é violenta ou pode ficar... Na vida policial, vivi na prática o que ele comenta em tese. Lembro um episódio: numa operação foi presa uma pessoa que parecia inofensiva. Desnudá-la para revista era uma demasia. Algemá-la? Pior ainda... Resultado: escondia uma arma entre as nádegas. Lembro o político americano Robert Dwyer. Acusado de corrupção, cometeu suicídio com um tiro na boca em uma entrevista coletiva transmitida ao vivo. Cito ainda um episódio envolvendo um policial militar acusado de pedofilia. Procurado por policiais civis em sua residência, descontrolado, cometeu suicídio. Não existe fórmula pronta, a imprevisibilidade está sempre rondando - preso precisa ser algemado.

Felizmente, a maioria da população sabe quem está fazendo as coisas certas. Se não precisa algemar, não precisa prender, basta solicitar ao acusado/suspeito que compareça onde for necessário... Se a opção é a prisão - seja por que motivo for -, a confiança inexiste e a algema precisa ser utilizada. Flagrante? Não precisa explicação. Simples. Mas existe palpite demais enquanto está passando da hora de ser dado um basta na corrupção. É evidente que os recursos públicos precisam ser usados para transformar o país num lugar mais justo, sem privilégios para ninguém.

Por enquanto, dizem que resta ao povo - incluídos aí os que comem lixo debaixo dos viadutos, os que têm filhos mortos na “guerra urbana”, a maioria dos policiais, os professores com salários aviltantes, os que ficam em intermináveis filas de consultas e cirurgias do SUS, os que assistem bairros serem dominados por bandidos, os desempregados, e os sofredores de toda espécie - sonhar com a punição aos infratores das leis, inclusive os do colarinho branco. Dizem, também, que o sonho inclui algema e uniforme de presidiário. Muitos acham que é um sonho difícil de ser concretizado num país onde algemar quem tira proveito de recursos públicos, que ajudariam a melhorar este quadro, é algo que provoca tanta discussão.

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O SINPEF/MS defende os direitos dos policiais federais